O renascimento de Fred Gil: “Estou finalmente a encontrar-me e a seguir um caminho sólido”

Fred-Gil

Carcavelos – Nos clubes de ténis, entre o turbilhão dos vários jogos que se realizam por dia, observam-se diferente tipos de jogadores. Uns mais reservados, com fones nos ouvidos e concentrados nos seus pensamentos, e outros mais descontraídos, interagindo alegremente com as várias pessoas presentes. No meio de tudo surge Fred Gil, com a sua distinta mas agradável abordagem à vida de jogador profissional.

Frequentemente acompanhado pela família e amigos nas provas que disputa, o experiente jogador português conta que a vida lhe ensinou a não colocar uma barreira entre a sua profissão e a partilha de momentos com as pessoas de quem mais gosta. “É outra forma de viver a vida. Gosto de estar acompanhado pelas pessoas que me são mais queridas. Tem de haver uma parte de trabalho mas também uma de lazer e de desfrutar. Acho que finalmente estou a encontrar esse equilíbrio”, começou por contar ao RAQUETC.

Terminado o encontro da primeira ronda do Future realizado durante esta semana no Carcavelos Ténis, os amigos que assistiam ao encontro aplaudem o vencedor enquanto a filha irrompe pelo court adentro abraçando-se ao pai. “Quando és pai começas a ver a vida de outra forma e a tentar aproveitar nesse sentido. Acho que é importante”, explicou.

Esse é, aliás, um modo de estar que acaba por ser essencial para o renascimento do novo Fred Gil enquanto tenista. Como o próprio revela, “estou finalmente a seguir num caminho bom e sólido. Era disto que eu estive à procura durante os últimos anos”.

Virando a agulha para um tema diferente, o duelo de gerações realizado esta quarta-feira serviu como mote para que o sintrense – enquanto personalidade atenta ao panorama do ténis nacional – tecesse as suas considerações no que concerne a esta nova geração de jovens promessas lusitanas. “Sinceramente vejo coisas boas mas ainda falta muito ‘acreditar’. Às vezes estou em campo e sinto os jogadores um pouco derrotados”, começou por confessar.

Fred Gil saiu vitorioso do embate com Martim Prata

“Não fazem por mal, mas por vezes sinto que a própria atitude, postura e energia não estão lá. Na maioria dos jogadores portugueses que conheço falta coragem de serem mais fortes nesse sentido. Isto falando no geral, claro”, prosseguiu, antes de abordar o seu papel enquanto ícone nacional na interação com os petizes desta geração. “Interajo com aqueles que gosto e sinto uma ligação. Tento sempre ajudar aqueles que eu sinto que gostam disto e merecem”.

Por fim, o ex-finalista do Estoril Open (2010) não deixa de abordar aquilo que o espera a curto prazo, reforçando a ideia já transmitida na sua rubrica Fred Gil on Tour de que deseja continuar a competir em solo português. “Vou tentar jogar o ATP do Estoril — no qualifying em singulares e no quadro principal em pares. Depois também quero jogar os Challengers daqui [Braga e Lisboa]. Estou na fase em que quero ganhar confiança e jogos, estar por aqui tranquilo. Gosto de estar em Portugal”, concluiu.

António Vieira
Natural de Lisboa e licenciado em Gestão, vê no Ténis uma extraordinária modalidade com vasto potencial a ser explorado em Portugal. Tem como principal objetivo a contribuição no seu crescimento partilhando com o Mundo a sua espetacularidade.