Marco Trungelliti: o título em Barletta, a vontade de vencer em Carcavelos e as típicas bicas

Marco Trungelliti

CARCAVELOS – Sentado descontraidamente numa das mesas da esplanada do Carcavelos Ténis, encontrámos Marco Trungelliti. Inconfundível, com os seus fartos caracóis a preencherem a paisagem ao redor da sua cabeça, o argentino desfrutava de um merecido almoço após o triunfo no jogo de pares disputado na parte da manhã [de terça-feira]. Prato principal seguido de fruta e concluído com a tradicional bica portuguesa que tanto aprecia. “Já bebi umas seis”, confessou.

De campeão na cidade italiana de Barletta à terra batida de Carcavelos passaram apenas dois dias. Aqui a pergunta impunha-se: porquê descer de categoria Challenger para Future após se sagrar vencedor na primeira? A resposta veio pouco depois, quando nos sentámos a conversar com o segundo cabeça de série da última etapa do Cascais NextGen Tour.

Não havia como fugir: o primeiro tópico abordado prendeu-se naturalmente com a conquista do seu primeiro título ao nível Challenger. E que conquista, diga-se. Após iniciar a prova na longínqua fase de qualificação, Trungelliti derrubou todos os obstáculos que se atreveram a intrometer-se no seu caminho. Para trás ficaram seis italianos (incluindo na final), um espanhol e um… português. Ainda assim, como o próprio refere, o título não contava inicialmente para as suas contas.

“Encarei um jogo de cada vez, especialmente porque tinha um objetivo definido antes do torneio que era alcançar a fase de qualificação em Paris [Roland Garros], e para isso precisava de 20 pontos, mais ou menos, o que corresponde aos quartos de final. Era esse o meu principal objetivo”, começou por explicar.

Marco Trungelliti conquistou em Barletta (Itália) o primeiro troféu Challenger da carreira

Quanto ao percurso, apesar de este ter a vitória como denominador comum, revelou-se também atribulado. “Não joguei bem os primeiros jogos e tive sorte na segunda ronda porque o [Alessandro] Giannessi desistiu. Depois tive um dia de descanso, que foi muito importante porque me sentia cansado e então o terceiro já correu melhor [triunfo sobre Gonçalo Oliveira]”, prosseguiu.

Se o caminho foi conturbado, que dizer da final? Perdeu o primeiro set, foi ao tiebreak do segundo e acabou com o troféu nos braços. Tudo isto com o público inteiro a apoiar o seu adversário — o jogador da casa Simone Bolelli. Contudo, nesses momentos Trungelliti primou pela serenidade. “O recinto estava cheio de público e a atmosfera foi boa. Antes tinha jogado frente a cinco jogadores, italianos e por isso fui-me habituando. Estava pronto para pelo menos tentar vencer”, vincou.

Questionado relativamente ao sentimento perante este novo milestone na carreira, o atual 191.º classificado da hierarquia mundial rejeita entrar em euforias, indo inclusivamente mais longe ao afirmar que se veio até Carcavelos, é porque quer sair daqui campeão. “Foi bom. Mas também sei que no ténis não tens muito tempo para celebrar. Sabia desde logo que vinha para aqui e tinha de estar pronto”, respondeu, antes de comentar a mudança que efetuou logo de seguida.

“O anterior era um Challenger e este é um Future mas para mim a importância é a mesma. Se venho para aqui é porque quero ganhar”, atirou, antes de destacar a relevância de manter os níveis de motivação lá em cima independentemente da prova que disputa. “O cenário ideal é a tua mentalidade não mudar consoante o torneio. Claro que se estiveres a disputar um Grand Slam a motivação vai ser muito maior porque tem mais prize money, pontos, etc… Em suma, é uma questão de encarar todos os torneios o mais seriamente possível”, apontou.

Finalmente, o jogador natural de Santiago del Estero não nos deixou sem partilhar os objetivos que definiu para as próximas semanas. “Isto mudou um pouco porque antes girava tudo à volta de alcançar a qualificação de Roland Garros, agora quero fazer o mesmo com Wimbledon. Mas no ténis numa semana tudo pode mudar. Num momento podes estar a lutar por entrar no qualifiying e noutro por constar no quadro principal”, concluiu.

António Vieira
Natural de Lisboa e licenciado em Gestão, vê no Ténis uma extraordinária modalidade com vasto potencial a ser explorado em Portugal. Tem como principal objetivo a contribuição no seu crescimento partilhando com o Mundo a sua espetacularidade.