Milos Raonic diz ‘não’ à surpresa e afasta João Sousa de Indian Wells

João Sousa

A classificação dos dias de hoje pode não o demonstrar, mas Milos Raonic continua a ter as capacidades e talentos de um jogador do top 10 mundial e o encontro desta terça-feira refletiu isso mesmo. Do outro lado da rede esteve o português João Sousa e, apesar dos grandes esforços, foi mesmo o canadiano quem ficou com a vitória (7-5, 4-6 e 6-2) para chegar aos oitavos de final do Masters 1000 de Indian Wells.

O duelo desta noite em Indian Wells era o quarto da história entre os dois tenistas e acontecia na ressaca de uma das melhores vitórias da carreira do vimaranense e, consequentemente, do ténis português. Depois de ter deixado o número 5 mundial, Alexander Zverev, para trás, João Sousa queria mais.

E entrou em campo com a determinação que o comprovava. Mais do que isso, com o ténis para lutar por tal, como o próprio marcador viria a refletir: ao nono jogo, foi o número 1 português (e 85.º ATP) quem conseguiu a primeira quebra do encontro, que o colocava em posição de servir para fechar o primeiro set. Só que aí, chamado a reagir num momento de maior aperto, Raonic fez uso de toda a sua experiência e elevou o nível — que o ranking não seja razão para más interpretações, não fossem as lesões e Raonic continuaria entre os melhores dos melhores.

Com três jogos consecutivos (e 15 dos últimos 17 pontos do primeiro set), o ex-número 3 ATP fechou o set e pareceu dar indícios de querer descolar no marcador. Só que, como já se vira frente a Zverev, do outro lado Sousa ia vender cara, muito cara a vitória e fazer tudo o que podia e não podia para a contrariar. Assim foi: quando chamado a servir novamente a 5-4, o português já não claudicou e assinou o adiamento da decisão para uma terceira partida.

E aí, voltou a ser a maior sabedoria e experiência de Milos Raonic a fazer a diferença. Com um único break, a 3-2 e depois de um jogo muito longo, o tenista de 27 anos conseguiu a vantagem necessária para aos poucos poder começar a caminhar na direção da vitória, que o coloca nos oitavos de final do histórico torneio de Indian Wells.

Se a eliminação coloca um ponto final na caminhada de João Sousa no primeiro Masters 1000 do ano, o “Conquistador” tem, esta semana, muitas razões para se despedir da Califórnia com um (grande) sorriso de satisfação. Afinal, na bagagem leva a sua 3.ª vitória sobre um tenista do top 10 mundial e, no total, dois encontros ganhos — antes de Zverev já tinha derrotado Youzhny –, que lhe permitem reentrar no top 80 mundial e abordar o torneio de Miami (também Masters 1000) com outra confiança, ou não tivesse ele jogado a um nível muito superior ao seu ranking atual ao longo de toda a semana.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."