Juan Monaco na hora do regresso: “Ao longo da minha carreira, Buenos Aires foi sempre muito importante”

Fotografia: Argentina Open

Aos 35 anos, Juan Monaco voltou a pegar numa raquete dez meses depois de ter anunciado a retirada da modalidade. O argentino é parte integrante do novo Torneio das Lendas, inserido no ATP 250 de Buenos Aires, do qual também fazem parte nomes como Mariano Zabaleta, Juan Ignacio Chela ou ainda Gastón Gaudio, e regressou aos courts durante a jornada de ontem.

Em entrevista ao La Nación, Monaco afirma que é bom estar de volta: “Agora que joguei e estou neste ambiente do ténis, é lindo o reencontro. Quando tomei a decisão de não jogar mais, tinha na minha mente a ideia bem clara de que estava saturado do ténis, da vida de tenista. Sabia que queria mudar e procurar um novo desafio. Mas é lindo voltar a este court, a treinar. Faz-me sonhar e deixa-me feliz que me tenham convidado para este torneio de lendas. Mas já estranhava um pouco a presença da raquete, sim”, começou por dizer, numa entrevista em pleno court central do Buenos Aires Lawn Tennis Club onde jogou um encontro de pares ao lado de Zabaleta frente a Chela e Gaudio, sob o olhar bem atento de Diego Schwartzman, que tinha entretanto terminado o seu treino.

Como foi depois de dez meses sem jogar? “Perguntei ao [Guido] Pella, com quem joguei, para ver como estava, porque sentia-me mal com o calor mas em termos de pancadas sentia-me bem. Ele disse que estava bem, que a velocidade da bola era boa e isso motivou-me, tanto que estes dias vou treinar com os rapazes. Gostei muito.”

Em Buenos Aires, Juan Monaco já foi muito feliz, tendo conquistado o seu primeiro título ATP na capital argentina, há 11 anos. “Já passou muito tempo. Onze anos. É um número. Ainda joguei mais duas finais e uma meia-final aqui. A verdade é que, ao longo da minha carreira, Buenos Aires foi sempre muito importante. Eu gostava muito de jogar com pessoas do meu país, ter amigos, familiares e conhecidos que te acompanhavam durante todo o ano e eu podia devolver-lhes o apoio que me davam. Era uma semana especial. Foi aqui a minha estreia como profissional no ATP, quando o Martín [Jaite, diretor do Argentina Open] me deu um wildcard, aos 19 anos. Também foi o primeiro torneio que ganhei e deve ser aquele onde mais jogos venci”, disse.

Questionado ainda sobre o que mais o surpreendeu no mundo fora do ténis, o argentino diz que existe um mundo muito diferente. “Surpreende-me que haja um mundo tão distinto fora do ténis. Porque quando estás submergido no ténis, pensas só nele e tudo gira à volta dele. É nesse mundo que vivemos durante muito tempo, pela maneira que és tratado nos torneios, pelas seis ou sete pessoas que tens a depender de ti porque és o chefe da empresa. Estás durante 30 semanas a competir lá fora e as restantes a treinar na Argentina e a tua cabeça pensa no ténis a 90% e então acreditas que esse é o único mundo que existe. Quando não o tens mais, apercebes-te que o ténis na Argentina é visto por um milhão de pessoas, que não deixa de ser um número, mas que existem 39 milhões que não percebem nada do assunto. Quando deixas o ténis vês que existem 700 mundos diferentes para lá da raquete e entras na realidade, na vida quotidiana de pessoas que não estão ligadas ao desporto e apercebes-te de muitas coisas que se passam. Agora vivo todos os dias como uma pessoa normal”, afirmou.

O torneio das lendas, inserido no Argentina Open, termina hoje. Juan Monaco e Mariano Zabaleta formam a Equipa Branca e, do outro lado, Gastón Gaudio e Juan Ignacio Chela compõem a Equipa Azul. O formato da prova implica a realização de um jogo de pares de apenas um set ontem e hoje jogar-se-ão dois encontros de singulares com super tiebreaks de 10 pontos.

Adepto do desporto em geral mas com especial carinho pela "bolinha saltitona". O bichinho surgiu ainda Rafael Nadal não tinha mangas e não mais saiu. Chegada a oportunidade de me juntar ao Raquetc, juntamente com a minha ambição de ser jornalista, foi fácil aceitar juntar-me à equipa.