Stroke Zone | “Porque Respiramos Squash!”, por Luís Ferreira

Stroke Zone, por Luís Ferreira
Stroke Zone é um espaço dedicado a artigos de opinião assinados por Luís Ferreira, Presidente da Federação Nacional de Squash e Head Coach no Quinta da Marinha Racket Club, e/ou seus convidados.

Às vezes pergunto a mim próprio: Como viemos aqui parar? O que nos fez enveredar por este caminho que faz com que estejamos hoje a liderar o rumo da Federação Nacional de Squash? Porque nos metemos nisto?

A resposta a este “Porquê” tem sido a grande responsável por todas as alterações que o Squash tem experienciado nos últimos 4 anos, mas já lá vamos…

Reza a história, e de acordo com os registos da World Squash Federation, que o Squash terá nascido algures no século XIX, nos limites de Londres, em Harrow School. Em Portugal, e pelo testemunho do intitulado por muitos como o “pai do squash em Portugal”, o Professor José Pimenta, o primeiro court de squash terá nascido em 1910, na Madeira, no British Country Club (atualmente Quinta Magnólia) por influência das famílias inglesas que se instalaram na Ilha da Madeira. Hoje em dia o Squash está, felizmente, representado em grande parte do território nacional.

No entanto e pese embora o Squash já tenha uma história com mais de século e meio, praticado por mais de 20 milhões de jogadores em cerca de 185 países e ser reconhecido como um dos desportos mais saudáveis do Mundo, como atestam alguns estudos amplamente divulgados, é uma modalidade que ainda não conseguiu ser inscrita como um desporto olímpico e que, em Portugal, já teve uma altura em que era o “desporto da moda”, tendo depois perdido algum destaque e fulgor – mas Porquê?… deixo esta reflexão assim como a história do squash em portugal até a um passado recente para as próximas colunas…

Mas vamos lá então ao Squash em Portugal nos últimos 4 anos!

Atrevo-me a falar deste período em particular pois o mesmo coincide com o mandato da atual Direção da Federação Nacional de Squash, a qual se comprometeu a fazer com que o Squash possa novamente retomar o seu rumo e o estatuto que merece! Para isso foi necessário repensar o Squash, fazer quase um “Reset” e como se diz na gíria “dar um passo atrás” para depois dar um pulo olímpico ao estilo do nosso grande atleta Nelson Évora!

Tem sido de facto uma caminhada repleta de “Porquês” para todos nós mas tem sido exatamente o espírito resiliente e irrequieto que nos carateriza que levou a que conseguíssemos duplicar o atual número de filiados ativos, que fez nascer um Circuito Nacional de Juniores, que fez com que os nossos treinadores de squash sejam hoje reconhecidos perante o Instituto português do Desporto e da Juventude de Portugal, que incentivou e fez renascer o espírito de clubes nesta comunidade que conta atualmente com 23 clubes de squash e uma Associação que são os principais motores do atual modelo organizativo das competições a nível nacional, que trouxe a Portugal novamente a organização de grandes eventos internacionais – o Europeu de Sub 15 /17 em 2015, o Europeu de Sub 19 em 2017 (considerado pela tutela internacional como uma das melhores organizações dos últimos anos!), que fez com que os nossos juniores voltassem aos importantes palcos competitivos europeus, o regresso da seleção sénior ao Campeonato da Europa (tendo sido campeã da 3.ª Divisão e ter ascendido à 2.ª Divisão da Europa, onde se encontra atualmente) e também o reforço no apoio às organizações de eventos da PSA (Professional Squash Association), como o afamado e acarinhado internacionalmente Torneio Internacional da Madeira e alguns outros torneios desta associação profissional realizados em diversos locais do país (Porto, Anadia, Estarreja, Lisboa, Tomar) e por fim mas não menos importante, um enorme trabalho de fundo em retomar o Estatuto de Utilidade Pública, o qual já tem um parecer favorável da Procuradoria do Conselho de Ministros e aguarda a formalização final em sede própria.

E novamente o Porquê?

… Porque simplesmente todos nós Respiramos Squash!