Para Carreño Busta e Ramos, a ressaca da Davis implica 8.500km e 2.850m de altitude

Pablo Carreno Busta e Albert Ramos
De Marbella a Quito, espanhóis têm uma longa viagem pela frente...

MARBELLA – Quando a eliminatória deste fim de semana entre Espanha e Grã-Bretanha terminou, havia um fator comum a (quase) todos os elementos de ambas as comitivas: pressa. Quer britânicos, quer espanhóis tinham viagens a fazer, mas feitas as contas é a equipa da casa quem se prepara para mais tempo no ar.

Comecemos por Pablo Carreño Busta e Albert Ramos, os dois jogadores com melhor ranking entre os 10 convocados para a eliminatória. O campeão em título do Millennium Estoril Open e a figura do fim de semana são os principais cabeças de série do ATP 250 de Quito, que se joga no Ecuador.

A celebrar a sua quarta edição, o torneio da América do Sul só conhece, até à data, um campeão: Victor Estrella Burgos. O dominicano tem vivido uma autêntica história de sonho naquele torneio, onde ano após ano tem surpreendido os mais variados jogadores, e as condições ajudam a de certa forma explicar o fenómeno: é que Quito é uma cidade com 2.850m de altitude, e em altitude a bola torna-se mais rápida.

Por isso, os dois tenistas espanhóis enfrentam um duplo desafio: fazer uma viagem de 8.500km em tempo e condições de se estrearem no torneio (provavelmente na quarta-feira…) e adaptarem-se rapidamente à realidade de Quito, depois de em Marbella terem jogado ao nível do mar.

De resto, só David Ferrer vai a jogo e no torneio de Montpellier, que é jogado em piso rápido indoor e anualmente se apresenta como um dos melhores eventos da categoria ATP 250.

No que à equipa britânica diz respeito, o cenário é muito diferente: Kyle Edmund, Liam Broady, Jamie Murray e Dominic Inglot não estão inscritos em nenhum dos torneios da próxima semana, enquanto Cameron Norrie planeava jogar o Challenger de São Francisco, onde está Gonçalo Oliveira, mas acabou por desistir. Em cima da mesa mantém-se o novo ATP 250 em Nova Iorque, mas tal como revelou em conferência de imprensa — meio a brincar, é certo, mas a brincar a brincar… — “terei de falar com o meu treinador para ver se não devo acrescentar torneios em terra”.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."