Espanha 3 vs. 1 Grã-Bretanha: Albert Ramos fecha aquilo que começou e dá à Espanha o ponto decisivo

Albert Ramos

MARBELLA – Dois dias depois de ter inaugurado a primeira ronda do Grupo Mundial da Taça Davis entre Espanha e Grã-Bretanha com uma vitória, Albert Ramos regressou ao court central do Club de Ténis Puente Romano para fechar o que começara. A equipa da casa está, assim, nos quartos de final da competição, uma ronda que voltará a jogar em seu território.

Pela segunda vez este fim de semana, o número 21 do mundo mereceu a confiança do capitão Sergi Bruguera e foi a jogo com uma grande responsabilidade nas mãos. É que a noite anterior tinha sido de estratégia para os britânicos e no caso de nova vitória de Cameron Norrie, tudo ficaria por decidir no quinto e derradeiro encontro, onde Marbella talvez viesse a ver finalmente Kyle Edmund em jogo.

Por isso, sabia a Espanha, o primeiro encontro deste domingo era fundamental. Para não colocar a eliminatória em risco, Ramos teria de vencer e o seu país ficaria desde logo apurado para a fase seguinte — e assim foi, apesar de ser necessário muito, muito trabalho até a vitória chegar, pelos parciais de 7-6(4), 2-6, 7-6(4) e 6-2.

Porque à semelhança do que acontecera na sexta-feira, também hoje Cameron Norrie se exibiu a um nível muito superior ao ranking que ocupa (é o atual número 114 do mundo) para complicar a tarefa aos homens da casa. Apesar de ter sido Ramos o responsável pela primeira “ferida”, ao correr para uma vantagem de 4-0 no parcial inaugural, o jovem britânico de apenas 22 anos reagiu a tempo de recuperar e forçar a decisão do parcial num tiebreak.

Só aí Albert Ramos viria a fazer a diferença, com a experiência a falar mais alto e a permitir ao tenista espanhol de 30 anos de idade adiantar-se no marcador. Depois, seguiu-se uma grande reação do tenista britânico, que jogou um set de sentido único para igualar a contenda.

Desistir, viu-se há dois dias, não faz parte do dicionário do novo herói do ténis britânico e por isso aquilo a que se assistiu este domingo foi uma grande batalha e um verdadeiro espetáculo para os cerca de 8.000 espetadores que preencheram por completo as bancadas de um estádio expandido para esta eliminatória.

3h47 foi o tempo necessário até que o mais experiente Albert Ramos conseguisse assinar a vitória, que foi consumada num quarto parcial onde o desgaste físico foi mortal para Cameron Norrie — que até esta eliminatória só tinha jogado encontros de terra batida em torneios Future, o último dos quais em 2013.

Um “partidazo”, como por várias vezes se ouviu um pouco por todas as bancadas em Marbella, que deixa qualquer britânico orgulhoso. Afinal, e como nos diziam vários adeptos britânicos ao longo desta manhã, entre o centro da cidade e o complexo de ténis instalado num resort, à entrada para este fim de semana “as expetativas eram muito, muito baixas e o encontro de sexta-feira já valeu por tudo o resto.”

Para a equipa britânica não será bem assim, mas a verdade é que com Andy Murray lesionado e ausente até à temporada de relva e Kyle Edmund, que brilhou no Australian Open, indisponível nos dois primeiros dias, era muito difícil esperar mais desta eliminatória. Para isso, o par que ontem jogou teria de ter feito mais frente a Pablo Carreño-Busta e Feliciano López, mas Jamie Murray e Dominic Inglot deixaram muito a desejar e acabaram derrotados em três sets.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."