Marin Cilic vê Rafael Nadal desistir quando já estava por cima e iguala melhor resultado em Melbourne

Marin Cilic
São as segundas meias-finais de carreira em Melbourne para o número 6 mundial | Fotografia: Elizabeth Bai/Tennis Australia

Caiu o número 1 mundial: um ano depois de ter disputado uma final épica frente a Roger Federer, Rafael Nadal despede-se do Australian Open nos quartos de final, ao desistir quando o marcador já era favorável a Marin Cilic pelos parciais de 3-6, 6-3, 6-7(5), 6-2 e 2-0. O melhor tenista croata da atualidade iguala, assim, o melhor resultado da carreira no “Happy Slam” e mantém-se na luta pela conquista do Major australiano.

Apontado como o duelo do dia em Melbourne Park, foi sem surpresas que o encontro foi agendado para a sessão noturna em plena Rod Laver Arena. Mais surpreendente foi o desenrolar da contenda, que viu o espanhol (campeão em 2009) entrar por cima, recuperar a vantagem e, já com mais de três horas de encontro disputadas e o croata a ameaçar a reviravolta, apresentar graves problemas físicos que o foram afastando da discussão do encontro.

Do outro lado do court, um Marin Cilic que certamente se identificou com a situação do espanhol, ou não tivesse ele mesmo, há cerca de seis meses, sofrido do mesmo mal em plena final de Wimbledon, onde perdeu para Roger Federer. Mas para chegar a este momento o tenista croata (atual número 6 do mundo) teve de batalhar muito, e a verdade é que até à desistência do líder do ranking as mais de três horas de jogo viram os dois jogadores produzir muito bom ténis.

No total, o tenista croata de 29 anos disparou nada mais, nada menos do que 83 winners(!), contra 39 de Nadal, entre os quais 20 com o serviço, e quebrou por cinco ocasiões o serviço do espanhol, que em sentido contrário só conseguiu fazê-lo em duas ocasiões.

Ao recuperar de forma notável para vencer o quarto set, Marin Cilic tornou-se no “comandante” de um encontro que já há bastante tempo ameaçava cair para o seu lado pela confiança que ia acumulando. Até que, ao conseguir a quebra de serviço para 2-0 no parcial decisivo, o (já) esperado aconteceu: Rafael Nadal aproximou-se da rede e anunciou que não conseguia continuar. Tudo começou a ser percetível ao 4-1 do quarto parcial, quando o tenista espanhol de 31 anos pediu a intervenção do fisioterapeuta do torneio.

Pelas imagens televisivas não foi claro (mais novidades teremos quando falar pela primeira vez à imprensa), mas recebeu assistência ao lado direito do corpo, entre a zona da anca e o joelho. E se ainda conseguiu aguentar pelos quatro jogos seguintes, ao sofrer o break Nadal considerou ter chegado ao limite. Assim, quando estavam decorridos 227 minutos de encontro, Marin Cilic pôde cerrar o punho pela última vez e agradecer à Rod Laver Arena — porque teve razões para isso.

Esta é a segunda vez que o croata de 29 anos chega tão longe em Melbourne. Em 2010, há oito anos, já tinha atingido as meias-finais, uma prestação que marcara precisamente a sua estreia em fases tão adiantadas de torneios do Grand Slam. Como próximo adversário, Cilic terá a grande surpresa do torneio: o britânico Kyle Edmund, que na madrugada desta terça-feira surpreendeu o número 3 mundialGrigor Dimitrov.

E agora que Roger Federer é o único membro do Big Four ainda em prova, não se pense que o quadro ficou “demasiado fácil” para o suíço: nos quartos de final, tem de passar por Tomas Berdych (que já o derrotou em Wimbledon e no US Open) e este Marin Cilic não lhe deu hipóteses há quatro anos, ao vencer por 6-3, 6-3 e 6-4 para chegar à final em Nova Iorque. Isto, claro, não esquecendo os surpreendentes Tennys Sandgren Hyeon Chung, que se enfrentam no outro duelo desta quarta-feira.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."