Hyeon Chung derrota Novak Djokovic e faz história no Australian Open

Hyeon Chung
Fotografia: Ben Solomon/Tennis Australia

Caiu o recordista de títulos em Melbourne. Novak Djokovic, por seis vezes campeão do primeiro torneio do Grand Slam da temporada, não resistiu ao talento e à consistência do sul-coreano Hyeon Chung, que venceu pelos parciais de 7-6(4), 7-5 e 7-6(3) para somar uma das melhores vitórias da carreira e fazer história para o seu país.

Talvez “surpresa” não seja a palavra mais justa para anexar a este encontro. Quer por um, quer pelo outro: porque Hyeon Chung já há muito se apresentou ao mundo do ténis e tem vindo a apresentar bons e cada vez mais consistentes resultados; e porque Novak Djokovic fazia em Melbourne o seu primeiro torneio oficial desde Wimbledon, seis meses antes, e se apresentava visivelmente debilitado.

O que não quer dizer – muito pelo contrário – que o resultado desta segunda-feira não deva ser visto como é: uma grande vitória para o jovem sul-coreano de 21 anos, número 58 do ranking mundial. Talvez mesmo a melhor da sua carreira, e talvez porque se seguiu ao triunfo que Chung conseguiu frente ao número 4 mundial, Alexander Zverev, na ronda anterior, pelos parciais de 5-7, 7-6(3), 2-6, 6-3 e 6-0.

Mais impressionante se torna se tido em conta o contexto do encontro: Hyeon Chung, que se sagrou campeão da primeira edição das “Finais” da ATP para os jogadores com 21 ou menos anos, enfrentou o recordista de títulos do torneio em plena sessão noturna na Rod Laver Arena, um dos maiores palcos do mundo. Ou seja, em prime time para a região do torneio (que se identifica como “o Grand Slam da Ásia e do Pacífico”), que é também a sua.

Sobre o jogo, há a dizer que o sul-coreano mostrou ter “nervos de aço” quando realmente foi necessário (apesar de ter desperdiçado a vantagem inaugural de 0-4 para permitir ao sérvio a recuperação até ao 5-4) e soube batalhar frente a um dos melhores tenistas do mundo com todo o seu arsenal. Desde direitas a esquerdas, subidas à rede e antecipações, Chung fez tudo ao nível de um dos melhores tenistas do mundo. Literalmente tudo. Do outro lado, a espaços mas com maior frequência do que a que certamente desejara, Djokovic continuava a dar sinais da lesão contraída na temporada transata.

Tal como no encontro anterior, também esta segunda-feira o sérvio precisou de chamar ao court o fisioterapeuta devido a problemas sentidos no ombro direito – o mesmo que tem protegido por uma “manga” bem ao estilo das usadas habitualmente pelos jogadores de basketball.

Quanto à história: ao derrotar o por seis vezes campeão Novak Djokovic, Hyeon Chung torna-se no primeiro tenista sul-coreano de sempre (homem ou mulher) a chegar aos quartos de final de um torneio do Grand Slam. Como “recompensa”, aquele que agora é o número 58 do ranking já sabe que irá fazer a sua estreia no top 40 mundial.

Para ir mais longe, o campeão do Next Gen ATP Finals terá de passar pela outra grande surpresa do torneio no que ao quadro masculino diz respeito: o norte-americano Tennys Sandgren, que depois de eliminar o ex-campeão Stan Wawrinka em três sets levou a melhor sobre Dominic Thiem em cinco partidas.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."