Gonçalo Oliveira. 91.000 km pelo mundo fora e um recorde de vitórias num ano sem igual

Fotografia: Fernando Correia/Millennium Estoril Open
Gonçalo Oliveira celebra a vitória sobre Inigo Cervantes na primeira ronda do qualifying do Millennium Estoril Open, que jogou pela primeira vez em 2017 / Fotografia: Fernando Correia/Millennium Estoril Open

Uma viagem, centenas (ou milhares) de quilómetros pelo meio e vitórias. Uma e outra vez, durante praticamente um ano inteiro. 2017 teve 52 semanas e Gonçalo Oliveira competiu em 48 delas, tornando-se no recordista de encontros disputados e vencidos.

Mas quem corre por gosto não cansa e é isso mesmo que o portuense reforça em declarações ao RAQUETC. “Gosto da pressão de competir todas as semanas e ainda sou muito jovem para não poder jogar todos os dias.” E quem diz competir, diz… Treinar em ambiente de competição. “Não gosto muito de passar semanas a treinar. Prefiro treinar mesmo nos torneios.”

Gosto da pressão de competir todas as semanas e ainda sou muito jovem para não poder jogar todos os dias

Aqui, não há mesmo como enganar: Gonçalo Oliveira não viajou para o Porto, a sua cidade Natal, ou o Algarve, de que tanto gosta, para preparar a próxima temporada. Não: jogou 5 torneios Future (3 em Hammamet e 2 em Hong Kong). Porque faz parte do seu ADN. “O meu pai treinava na academia do Harry Hopman, na Flórida, e a verdade é que gostava muito de jogar. E por tudo o que me dizem treinava muito mais do que eu!”

Com o Australian Open no horizonte — será o segundo torneio do Grand Slam em que participa, depois de ter feito a estreia no US Open –, o número 196 do mundo reforça que “quis preparar-me em competição e ir o mais cedo possível para a Ásia”, onde a partir da próxima semana disputa o torneio Challenger de Banguecoque, na Tailândia.

O Lisboa Belém Open, no CIF, foi um dos 6 torneios que Gonçalo Oliveira jogou em Portugal (4 Futures, 1 Challenger, 1 ATP 250)

Mais de 91.000km ao longo de 48 semanas

Os números não mentem: Gonçalo Oliveira mal parou durante 2017. Os 48 torneios disputados traduziram-se em passagens por 28 cidades (17 países) e resultaram em cerca de 91.262km “nas núvens”.

Clique para ver a lista das viagens feitas por Gonçalo Oliveira em 2017

Origem Destino Distância Data de início do 1.º torneio Número de torneios
Porto Hammamet 1.744km 10 de janeiro 6
Hammamet Vale do Lobo 1.672km 28 de fevereiro 1
Vale do Lobo Hammamet 1.672km 7 de março 4
Hammamet Quinta da Marinha 1.757km 3 de abril 1
Quinta da Marinha Porto 440km 10 de abril 1
Porto Carcavelos 300km 17 de abril 1
Carcavelos Hammamet 1.757km 24 de abril 1
Hammamet Estoril 1.757km 1 de maio 1
Estoril Hammamet 1.757km 9 de maio 2
Hammamet Bacau 1.761km 23 de maio 1
Bacau Hammamet 1.761km 30 de maio 2
Hammamet Lisboa 1.757km 12 de junho 1
Lisboa Budapeste 2.470km 19 de junho 1
Budapeste Breda 1.123km 26 de junho 1
Breda Braunschweig 401km 10 de julho 1
Braunschweig Poznan 435km 17 de julho 1
Poznan Cortina 739km 24 de julho 1
Cortina Segovia 1.443km 31 de julho 1
Segovia Cornaiano 1.379km 7 de aggosto 1
Cornaiano Cordenons 121km 14 de agosto 1
Cordenons Nova Iorque 6.676km 22 de agosto 1
Nova Iorque Como 6.438km 28 de agosto 1
Nova Iorque Sevilha 1.560km 4 de setembro 1
Sevilha Szczecin 2.382km 11 de setembro 1
Szczecin Sibiu 1.093km 18 de setembro 1
Sibiu Campinas 10.471km 2 de outubro 1
Campinas Buenos Aires 1.707km 9 de outubro 1
Buenos Aires Cali 4.634km 16 de outubro 1
Cali Lima 1.724km 23 de outubro 1
Lima Guayaquil 1.141km 30 de outubro 1
Guayaquil Montevideo 4.387km 6 de novembro 1
Montevideo Santiago 1.340km 13 de novembro 1
Santiago Rio de Janeiro 2.923km 20 de novembro 1
Rio de Janeiro Hammamet 8.864km 28 de novembro 3
Hammamet Hong Kong 9.676km 18 de dezembro 2

Dizemos “cerca de” 91.262km porque o número a que chegámos baseia-se na distância aérea que separa cada uma das “paragens” do percurso de Oliveira. Não foi, por isso, tida em conta a existência de ligações aéreas entre todas as cidades, mas sim calculada a distância de cidade a cidade, partindo no Porto, onde começou o ano a 10 de janeiro, e acabando em Hong Kong, onde terminou na última semana de 2017 — passando por todos os locais onde disputou torneios este ano.

O calendário, esse, assegura ser feito “de forma a tentar jogar os torneios mais fortes para melhorar a minha qualidade de jogo”. E não importa o país por onde passa: Gonçalo Oliveira encontra ou faz sempre novos amigos. A essa característica da sua personalidade ajuda, conta-nos, “a facilidade de falar cinco línguas desde que tenho cinco anos e a possibilidade de ter vivido em vários países desde que nasci”.

Mas, como diz o ditado, o bom filho a casa torna. Não importa o país por onde passe, o jovem português de apenas 22 anos tem a certeza de que “o país que mais me impressiona é Portugal, que lindo que é.”

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."