A cereja no topo do bolo: Caroline Wozniacki conquista o WTA Finals e termina 2017 da melhor forma possível

Está encontrada a grande campeã do WTA Finals 2017: Caroline Wozniacki derrotou Venus Williams (por 6-4 e 6-4) numa final entre duas ex-líderes do ranking mundial feminino e conquistou o “Masters” pela primeira vez, adicionando ao seu palmarés aquele que passa a ser um dos seus troféus mais importantes — senão mesmo o mais importante.

A final deste domingo colocava frente a frente duas tenistas de gerações diferentes e que, independentemente dos diferentes caminhos, se consideram hoje melhores amigas — em muito pela ligação que têm a Serena Williams. Quando a dinamarquesa tinha nove anos, já a norte-americana disputava o torneio que encerra a temporada; e se Wozniacki disputava o torneio pela primeira vez desde 2014, procurando ainda o seu primeiro título, Venus voltava à prova pela primeira vez desde 2009, quando foi finalista e um ano depois de ter ganho o troféu.

Por estas e outras razões, o duelo era, naturalmente, de extrema importância para ambas. E sendo de extrema importância para ambas, nada mais se poderia esperar do que uma grande batalha. Assim foi: num piso rápido com características lentas, no Singapore Indoor Stadium, Wozniacki e Venus (respetivamente números 6 e 5 do ranking) envolveram-se em longas e cativantes trocas de bolas.

Porque uma das características da dinamarquesa — que hoje jogou a sua 50.ª final de singulares — é a de cobrir como poucas adversárias o court, conseguindo por diversas vezes devolver mais uma boa do que a jogadora que está do outro lado da rede, Venus Williams teve muitas dificuldades em fazer a diferença nesse capítulo e, até, de o contornar.

A esse, juntou-se o facto de Wozniacki ter apostado de forma significativa no trabalho e evolução da sua pancada de direita. Se há um par de anos a dinamarquesa não conseguia fazer a diferença na maioria das ocasiões em que batia a bola daquele lado, nos dias de hoje passou a ser muito mais frequente vê-la a tirar partido dessa pancada, conseguindo mesmo criar dificuldades às adversárias com a direita.

Talvez mais ainda do que nos anteriores, o duelo deste domingo foi exemplo disso. Wozniacki exibiu-se como nunca frente a uma Venus Williams que tinha ganho os sete encontros disputados entre ambas até à data.

Mais ofensiva do que a mais velha das irmãs Williams, Wozniacki conseguiu mesmo a vitória inédita em apenas dois parciais, mas não sem antes apanhar um pequeno-grande susto: chegada à vantagem de 5-0 no segundo parcial, a dinamarquesa acusou a pressão do momento e, em sentido contrário, Venus “cresceu” para o encontro, conquistando quatro jogos consecutivos.

Foi então que, no serviço da norte-americana, Caroline Wozniacki voltou a conseguir fazer a diferença no serviço da norte-americana, selando o encontro com um passing shot de esquerda ao longo da minha.

Com esta vitória — a quarta da semana em cinco encontros disputados em Singapura (só perdeu para Caroline Garcia, por 0-6, 6-3 e 7-5, no último encontro da fase de grupos, tendo já o apuramento garantido –, Caroline Wozniacki torna-se campeã do WTA Finals pela primeira vez na carreira, ela que já tinha sido finalista do torneio no ano de 2010.

O título é, também, um dos mais importantes do currículo da dinamarquesa, que continua em busca do seu primeiro troféu de campeã de um Grand Slam (foi finalista do US Open em 2009 e 2014) e passa, agora, a somar 27 troféus de campeã contra 23 de finalista.

No que à temporada de 2017 diz respeito, esta foi a oitava final disputada por Caroline Wozniacki, que junta o título em Singapura ao de Tóquio (foi vice-campeã em Doha, Dubai, Miami, Eastbourne, Bastad e Toronto), um resultado que a ajuda a subir três posições no ranking para chegar ao terceiro lugar da tabela já na próxima segunda-feira.

Já Venus Williams, despede-se de 2017 com um sabor agridoce: a norte-americana voltou a apresentar-se ao seu melhor nível de forma consistente, mas não conseguiu ganhar nenhum torneio, tendo sido finalista de três das provas mais importantes da temporada tenística: Australian Open, WimbledonWTA Finals.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."