Wozniacki vence batalha épica entre titãs rumo à final do “Masters” de Singapura

Fotografia: Jimmie48 Photography

Foi com um daqueles duelos difíceis de se esquecer que arrancaram as meias-finais de singulares do WTA Finals, o “Masters” do circuito feminino que este ano volta a jogar-se em Singapura. Depois de Martina Hingis pendurar de vez as raquetes com a derrota nas meias-finais de pares, foi a vez de Caroline Wozniacki e Karolina Pliskova entrarem em ação tendo em vista a primeira vaga na variante individual. E que encontro foi este!

Num dia de tudo ou nada para as duas jogadoras, não era só a presença na final que estava em jogo: para a checa, esta era também uma oportunidade de recuperar o estatuto de número 1 mundial e terminar a época no topo do ranking. Só que para isso muito trabalho havia a fazer e, se é verdade que foi, das duas, a jogadora que entrou melhor no jogo, no final foi a dinamarquesa quem esboçou o último sorriso, ao vencer por 7-6(9) e 6-3.

Sendo difícil pôr em palavras o que aconteceu neste duelo entre titãs, justo é começar por referir que foi Pliskova quem causou a primeira ferida, ao quebrar o serviço de Wozniacki para chegar a uma vantagem de 5-3 no primeiro parcial. Nessa altura, os que marcavam presença no Singapore Indoor Stadium (e não só) estavam longe de imaginar o que viria a acontecer.

Isto porque Caroline Wozniacki e Karolina Pliskova se envolveram numa batalha que a dada altura parecia não ter fim: a dinamarquesa, que procurava a oitava final do ano, conseguiu anular a desvantagem e, um pouco mais tarde, adiar a decisão para um tiebreak. Porque até ali a emoção estava a ser uma constante, também no “tudo ou nada” não poderiam faltar pormenores épicos: Pliskova deu um passo em falso e Wozniacki entrou claramente melhor. De tal forma que num piscar de olhos o marcador indicava 6-1. Cinco set points a seu favor, uma montanha por escalar para a adversária.

Impossível? Nada disso, como aliás o provou Pliskova. A checa, que conseguiu estar “taco-a-taco” com a dinamarquesa nas trocas de bola mais prolongadas (vencer 44% dos pontos com mais de 6 bolas trocadas no primeiro set frente a Wozniacki não é algo que todas consigam, ainda menos num duelo com esta intensidade) salvou primeiro um, depois dois, três, quatro e, finalmente, cinco set points! De repente, o marcador estava de novo empatado e o tira-teimas dividia-se ele próprio num outro tira-teimas. O esforço acabou por ser em vão, dado que a mais experiente das duas jogadoras acabou mesmo por converter o seu sexto set point, já depois de ela própria ter salvo (entre o tiebreak e o jogo anterior) seis bolas de set.

No descanso entre parciais, Piotr Wozniacki elogiava o esforço feito pela filha. “Fantastic, Caroline!”, mas a motivação extra pareceu não ter efeito na ex-número 1 mundial, que pareceu perder energias e permitiu uma vez mais que Pliskova entrasse melhor. 1-0, break pata a tenista checa. Foi, no entanto, sol de pouca dura e três jogos depois a vantagem já estava do lado de Wozniacki, que a partir daí só teve de a conservar para vencer quando estavam decorridos uma hora e 58 minutos de encontro. Que batalha!

Oito anos depois, e pela primeira vez em Singapura, Caroline Wozniacki volta a marcar presença na final do WTA Finals (já o tinha feito em 2010), onde procura o seu primeiro título e que, a acontecer, será também um dos mais importantes de um já extenso currículo. Por falar em títulos e finais, a decisão deste domingo será a oitava do ano para a dinamarquesa de vinte e sete anos, que perdeu as seis primeiras finais que disputou em 2017.

Do outro lado da rede estará ou a norte-americana Venus Williams, que se estreou no torneio em 1999, ou a francesa Caroline Garcia, que ontem a derrotou por 0-6, 6-3 e 7-5 no último dos encontros da fase de grupos. É esperar para ver, já falta pouco.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."