Um ano depois de despertar para a ribalta, Marcus Willis continua a perseguir o sonho de criança

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Fotografia: Thomas Lovelock/AELTC

Willis. Marcus Willis. Por esta altura, é pouco provável que um seguidor de ténis minimamente atento ainda não se tenha cruzado com a história ou, no mínimo, com o seu nome.

Sobretudo pelo que aconteceu no verão de 2016, quando um treinador de Slough, Berkshire, em Inglaterra, venceu seis encontros consecutivos para ter direito a um lugar no maior torneio de todos: Wimbledon. Isso mesmo, um treinador desconhecido (que já tinha sido número 322 do mundo mas era desconhecido a praticamente todos fora do Reino Unido) conseguiu assegurar presença entre a elite. O prémio final? Defrontar Roger Federer, na altura por sete vezes campeão, em pleno Centre Court.

Fotografia: Gary Hershorn/AELTC

Cerca de 14 meses depois, encontramos Marcus Willis na Beloura Tennis Academy. Inscrito em dois dos três torneios Future organizados em Sintra, conquistou um título de pares e chegou à segunda ronda de singulares na última semana, sendo derrotado pelo futuro campeão Fred Gil. E sentou-se à mesa connosco enquanto assistia aos últimos minutos de um dos muitos jogos que naquele fim de semana se jogavam na Premier League.

“O meu objetivo continua a ser o mesmo — chegar ao top 100 de singulares e jogar os torneios do Grand Slam. Vai ser difícil, eu sei, muito difícil, mas acredito que se conseguir elevar o meu nível e passar a somar algumas vitórias em Challengers o posso fazer”, começa por revelar ao RAQUETC sempre com um grande sorriso.

Naquela semana, Marcus ainda não tinha a companhia da sua mulher, Jennifer Bate, nem da sua filha, Martha May, mas estava rodeado de compatriotas e muitos outros interessados em, a espaços, irem conhecendo a sua histórica. Pelo meio, deu-nos a garantia de que “para além de ter ficado um pouco mais conhecido, nada mudou.” E isso parece deixá-lo satisfeito.

Mas o que é que leva Marcus Willis, um jogador que aos 26 anos ainda persegue o sonho de menino, a seguir em frente sempre de raquete na mão mesmo nos maus momentos? “Às vezes não é fácil, é verdade. Depois de um mau jogo ou quando fazes muitos encontros e ficas meio ‘perdido’, mas tens de visualizar o teu grande objetivo e tentar manter-te focado e aprender, aprender e aprender até que chegue a próxima oportunidade.”

Fotografia: Joel Marklund/AELTC

“É esse o truque: pensar “pequeno”, ou melhor, a curta distância, e nas pequenas coisas, porque se virmos bem as diferenças entre os Futures e os Challengers não são muitas e entre os Challengers e os primeiros ATP também não. São os pequenos detalhes”, conclui.

Entre o dia em que combinámos a pequena entrevista e aquele em que nos sentámos numa das mesas da academia passaram 24h. Foi o tempo suficiente para, através do Twitter, recebermos uma mensagem de senhora inglesa que esteve na Beloura a acompanhar o seu “rebento” no torneio internacional de sub 16.

No tweet, que mostrámos a Willis, confessou-nos que o jogador britânico era o ídolo do seu filho. “Ohhhhh [diz, durante um par de segundos, surpreendido pela informação que introduzimos a meio da conversa e nos faz mudar de rumo], isso é muito, muito simpático. E eu fico muito feliz por ver que uma história tão mediática quanto esta que aconteceu pode ter ajudado a inspirar algumas crianças e a fazer com que acreditem um pouco mais nelas próprias.”

De volta à sua carreira, o herói do verão de 2016 fala-nos das dificuldades que um jogador profissional atravessa quando está a dar os primeiros passos no circuito. “Quando és junior, está tudo bem [em termos de apoio da Federação], mas quando passas a ser profissional fica muito, muito difícil. A não ser que chegues a top 200 do mundo não tens muito apoio financeiro e torna-se muito difícil. Tenho a certeza de que se existissem mais apoios o ténis britânico teria muito mais jogadores ao nível Challenger.”

Agora, Marcus Willis conta com um patrocinador, e por isso pode “a continuar a perseguir o sonho por mais um ano, um ano e meio para tentar chegar finalmente ao top 150”, mas reconhece que não é fácil. E só o tempo dirá se consegue.

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