Com “muita vontade”, Beloura vai duplicar o número de Futures e chegar ao circuito ATP

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Francisco Pitta, diretor dos BTA Futures, com João Monteiro (campeão do BTA Futures 2) e Vasco Costa (Presidente da Federação Portuguesa de Ténis) // Fotografia BTA Futures

BELOURA – Se um pouco por todo o país o mês de agosto é sinónimo de algum descanso, na Beloura Tennis Academy está a ser o mês mais movimentado. Com três torneios de nível Future e um torneio internacional de sub 16 organizados ao longo de três semanas, os courts — de piso rápido e de terra batida — não tiveram descanso. Tenistas, são às centenas. E encontros também.

No meio de tanta animação, encontros, finais, prémios e registos, sentámo-nos à conversa com Francisco Pita. Um homem que já foi do jet ski (conta com múltiplos títulos de campeão nacional), do Dakar (participou em cinco edições) e que agora está cada vez mais ligado ao ténis. É, aliás, o diretor dos 3 BTA Futures.

E na Beloura não se pensa pequeno. Depois de um primeiro ano de sucesso — à data da conversa, no final do BTA Futures 2, ainda faltava disputar-se uma semana inteira de ténis, mas o sucesso das duas primeiras foi tal que para efeitos de conclusão o discurso já é rico –, a ambição para o próximo é maior. Muito maior.

“Para o ano vamos organizar 6 Futures cá em Portugal. E muito provavelmente iremos colar a esses torneios um Challenger“, começa por nos contar Francisco Pita, que durante os últimos 16 dias nunca parou de melhorar um e outro detalhe, tal como toda a equipa da Prime Stadium.

No fundo, o plano já está bem delineado: “queremos passar a ter pelo menos duas boas mãos cheias de torneios de qualidade, que vão permitir aos jogadores terem todas as valências que existem nos grandes torneios: um belíssimo ginásio, uma excelente fisioterapia totalmente equipada, excelentes campos para treinarem e um bom ambiente.”

Confiante de que “vamos conseguir ter esses sete torneios já no próximo ano” — aos quais não descarta juntar uma espécie de circuito que permeie os jogadores com melhores resultados com acessos aos eventos internacionais –, Francisco Pita fala também do Campeonato Nacional Absoluto. O torneio voltará a ter a BTA e a terra batida como palco, mas agora em novembro (e não setembro) de forma a atrair as principais estrelas do ténis português. Para já, o objetivo está a ser alcançado: João Sousa, melhor tenista português de todos os tempos, já tem presença confirmada.

Fotografia cedida pela Beloura Tennis Academy ao RAQUETC

E o promotor lembra que “também será um desafio muito grande para nós, porque estamos a falar em possibilidades de chuva constante e teremos aqui os melhores jogadores nacionais. Estamos muito, muito entusiasmados com esse evento”.

A conversa regressa rapidamente ao tema dos torneios internacionais. Afinal, é essa a grande novidade, e ainda há muito a desvendar: apoios à parte (ou, pelo menos, mais para o fim da conversa), porque “como sabem, uma coisa é tratar de torneios com a Federação Internacional de Ténis e em orçamentos mais pequenos, outra é com a ATP e com valores muito maiores”, Francisco Pita volta a falar-nos do Challenger… E não só.

“Sem segredos” ou medo de falar, conta-nos mais sobre o desejo, a vontade e o projeto de levar até à Beloura e até Sintra um torneio do circuito ATP — informação que foi primeiramente noticiada pelo jornal A Bola.

Como primeiro passo de um plano pensado para ter como pico o ano seguinte, Francisco Pita fala num “primeiro Challenger pequeno, que também servirá para aprendermos, e depois apontar para fazermos um Challenger maior, de 150.000 dólares e combinado. Eu gostava que fosse combinado e penso que será assim em 2019.”

Com várias condicionantes à mistura — entre as quais, claro, a necessidade de arranjar patrocinadores e a cada vez maior segurança que um evento profissional implica devido às apostas ilegais (só nas duas primeiras semanas de ténis na Beloura, foram detetados e expulsos 21 apostadores, 14 dos quais espanhóis) –, organizar um torneio ATP 250 será a cereja no topo do bolo, aquilo com que Francisco Pita mais sonha.

Fotografia cedida pela Beloura Tennis Academy ao RAQUETC

“Desafiei a Câmara Municipal de Sintra a fazer um Open de Sintra. Isto é público, acho que as pessoas não devem ter segredos nem medo de falhar, em primeiro lugar porque o falhanço está garantido à partida. E estar a apontar para fazer um Challenger forte ou um ATP em Sintra é estar numa dose de loucura, mas de loucura boa, em que estás dependente de terceiros. Por isso desafiei a CMS e disse que era fundamental que o turismo apoiasse o Open de Sintra. Acho que é algo extremamente importante. As pessoas não sabem mas Sintra é um concelho visitado por milhões de turistas.”

Se está confiante? Está: “Acho que vamos conseguir. Não sei dizer o nível, mas seguramente que vamos conseguir um Challenger alto. Se será alto combinado, se será só homens, ainda não consigo saber, mas gostava que fosse combinado.”

No meio da conversa, há uma certeza absoluta, permitam-nos a expressão: “todos estes torneios de que estamos a falar são pensados em piso rápido, por várias razões: a Beloura tem uma característica que é o vento, muito vento, e por isso é muito mais fácil organizar torneios em piso rápido do que em terra, com o pó e manutenção que isso implica.”

E a reação da autarquia, qual foi? Ao RAQUETC, Francisco Pita conta que “a Câmara Municipal de Sintra tem pessoas ligadas ao desporto e à cultura que são fabulosas”, mas lembra que “isto bate sempre na mesma pasta, que é a das finanças, da economia, do budget. Vamos ver. Eu acho que se vai conseguir, que depois dos Futures a Câmara vai perceber a importância que isto teve no Concelho de Sintra, porque são imensos jogadores a viajar para Sintra, a dormir nos hotéis de Sintra, a comer nos restaurantes de Sintra…”

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gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."