Neuza Silva: “Temos de recomeçar o trabalho de base e dar mais atenção à formação”

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PORTO – Depois de assumir funções como capitã da equipa portuguesa da Fed Cup, Neuza Silva aceitou, no início da época, o convite do Presidente da Federação Portuguesa de Ténis, Vasco Costa, para ser responsável pelo ténis feminino no Centro de Alto Rendimento. E é esse trabalho que tem vindo a desenvolver ao longo da grande maioria das semanas do ano e que a levou ao Clube de Ténis do Porto na passada semana.

Em conversa com o RAQUETC durante o fim de semana de fases de qualificação do Porto Open, a ex-tenista falou do trabalho que tem vindo a desenvolver e daquilo que pensa ser necessário fazer para continuar a melhorar o nível do ténis português.

“Sempre a trabalhar em equipa”, Neuza Silva conta que “estamos sempre organizados com meses de antecedência e somos uma equipa bastante unida porque só assim é que conseguimos dar este apoio a todos os atletas que estão nas nossas mãos.” E são muitos: neste momento, 17, entre os escalões de sub 16, sub 18 e seniores.

Quando questionada sobre o que é preciso fazer para que o ténis feminino evolua e suba de nível, a treinadora diz que “temos de recomeçar o trabalho de base e preparar estas atletas para o circuito profissional. Não é fácil, não se pode começar a preparar uma atleta aos 18 anos… Este trabalho tem de ser feito, na minha opinião, a partir dos 14. Acho que faz todo o sentido e estes atletas, principalmente mentalmente mas também fisicamente, têm de ser preparados em sub 14 e sub 16. E temos de dar maior atenção aos escalões de formação e prepará-los para o circuito profissional.”

Dedicada “a 200% a este projeto da Federação e cheia de vontade de trabalhar e ajudar”, Neuza Silva afirma ainda que “aos poucos vamos começando a fazer uma diferenciação no trabalho entre homens e mulheres, que é necessária porque como sabemos por natureza as mulheres têm aspetos bem diferentes dos homens a nível físico e mental.” Sempre confiante no trabalho que está a ser desenvolvido, mostra-se otimista e diz que “o Centro de Alto Rendimento já está a ajudar muito neste sentido e daqui para a frente vamos ter mais jogadoras.”

Depois do Porto, a próxima “paragem” do circuito internacional feminino em solo português será Lisboa, quando o Lisboa Racket Centre receber, de 30 de setembro a 7 de outubro, um torneio de 15.000 dólares. Nas três semanas seguintes, a Bom Sucesso Tennis Academy organiza três provas de 25.000 dólares, pelo que serão quatro os torneios ITF consecutivos.

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Gaspar Ribeiro Lança

gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC (“raquetecétera”). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, “primeiro estranha-se, depois entranha-se.”