João Monteiro em entrevista ao Raquetc: “Superei aquilo que achava que podia fazer”

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Concluído um ano ao mais alto nível, após o regresso dos Estados Unidos da América, onde durante quatro anos conciliou os estudos com o ténis, João Monteiro fez a retrospetiva deste primeiro ano no circuito profissional.

O tenista portuense, que garantiu esta sexta-feira o apuramento para as meias-finais do Porto Open, falou ao RAQUETC logo após o primeiro treino de adaptação aos courts de terra batida do Clube de Ténis do Porto e confessou que este primeiro ano acabou por superar as expectativas.

“Ao início pensei que o top 350 seria um pouco ambicioso, mas agora olhando para trás se calhar superei aquilo que achava que podia fazer. Foi um ano de adaptação, a um nível diferente, tipos de jogo completamente diferente e acho que o saldo é positivo”, começou por dizer o portuense que considera que a sua classificação atual lhe dá mais oportunidades.

“Agora no top-350 poderei ter mais oportunidades para subir, para entrar nos torneios como cabeça de série e acho que isso faz a diferença nesta altura do campeonato”, disse o tenista de 23 anos.

João Monteiro voltou ao circuito profissional a tempo inteiro em julho de 2016 e esse regresso não podia ter sido melhor. O tenista conquistou ao primeiro torneio, o seu primeiro título, conquista essa que João Monteiro considera ter sido fundamental para os primeiros meses de competição e para ajudar a esclarecer algumas dúvidas que poderiam ter surgido.

“Foi diferente. Ganhar logo 18 pontos no primeiro torneio permitiu-me gerir as coisas de uma forma diferente. Consegui estar logo a 800 e poder jogar os quadros principais e acabei por fazer logo pontos nos primeiros torneios que fiz. Fiz mais umas meias-finais em que fiz mais seis pontos e isso foi muito importante para o que se seguiu. Depois só precisei de jogar quadros principais. Deu para gerir melhor pois já vinha com muitos jogos no início da carreira”, contou o atual número 243.º do ranking, que já conta com três títulos no currículo.

João Monteiro venceu em junho deste ano o título mais importante da carreira no 2.º Open de São Domingos.

Apesar da enorme escalada no ranking, João Monteiro considera que tem capacidade para fazer muito mais e uma grande margem para evoluir certos aspetos do seu jogo. O primeiro ano no circuito foi sinónimo de muito trabalho.

“Tenho tentado melhorar muitos aspetos do meu jogo, tenho trabalhado muito a minha direita, a esquerda também pode melhorar, principalmente nestes pisos mais lentos”, começou por dizer sobre o assunto. “Estou habituado aos pisos mais rápidos em que só preciso de empurrar a bola e aproveitar a força do adversário e agora renho tentado ser um pouco mais agressivo e melhorar o serviço pois é fundamental. Quando o nível começa a subir ter um ponto ou outro de borla é muito importante principalmente para o meu estilo de jogo”, disse o português.

Habituado a treinar nos courts de piso rápido durante a sua estadia na Virginia Tech Tennis, João Monteiro vê na terra batida um piso em que pode tornar-se num jogador de melhor nível.

“Tive os anos mais importantes na evolução de um jogador profissional em piso rápido. O meu jogo está bastante adaptado ao piso rápido, mas sinto que estou melhor na terra batida, sinto que posso vir a jogar melhor na terra batida. Não sou propriamente um gigante, então acho que a terra batida pode-me ajudar muito tanto a desenvolver o meu jogo como a ter melhores resultados, porque o meu jogo pode adaptar-se melhor à terra batida num futuro próximo”, considerou.

A treinar atualmente no Centro de Alto Rendimento do Jamor, João Monteiro não deixa de manter contacto com os treinadores que o acompanharam no tempo do College, pessoas a quem agora chama “amigo”.

“Foram pessoas que me ajudaram muito, tanto o treinador como o assistente. São pessoas que de vez em quando falo, são amigos que vão ficar para toda a minha vida. Sinto que eles acompanham a minha carreira, mas claro que é apenas uma relação de amizade neste momento, o que é realmente importante. Neste momento tenho os meus treinadores cá, do Centro de Alto Rendimento. Eles continuam a apoiar a minha carreira e sempre que tenho um jogo mandam-me mensagem a felicitar e a perguntar como estão as coisas”, disse o pupilo de Rui Machado, Hugo Anão e Gonçalo Nicau.

Além de três títulos Futures, João Monteiro conquistou o título de Campeão Nacional Absoluto de 2016.

João Monteiro continua a aproximar-se do top-300 mundial e o circuito Challenger é algo que fará mais cedo ou mais tarde parte da realidade do portuense. No entanto, o Campeão Nacional Absoluto prefere ir passo a passo, não pensando demasiado nesse tema.

“Tenho delineado jogar no Porto, Caldas da Rainha e talvez um da Beloura e vou inscrevendo-me nuns Challenger para ver se consigo entrar num ou outro. Se não der terei de subir no ranking e agora não tenho nada a defender até ao final do mês. Vou jogar esta série de Futures e talvez em setembro uns Challenger”, afirmou, reiterando a sua posição.

“Não estou muito obcecado [com a entrada no circuito Challenger]. Acho que se melhorar o meu jogo os resultados acabarão por aparecer. Claro que anseio por jogar um Challenger num futuro próximo, entrar nesses torneios e estar no circuito Challenger como estou no circuito Future, mas o importante é melhorar o meu jogo e as minhas pancadas”, finalizou.

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