PORTO – Um sonho. Tudo começou com um sonho. O Porto Open celebra a maioridade em 2017 mas até cá chegar percorreu um longo e elaborado caminho, que passou por vários formatos, vontades e, até, autarquias. O RAQUETC é media partner oficial da 18.ª edição e quis conhecer a história do maior torneio da cidade invicta.

“Faltava uma prova que fosse da cidade.” É assim que António Paes de Faria, Presidente da Associação de Ténis do Porto, recorda os tempos em que o Porto Open ainda estava por nascer. “No Porto sempre houve eventos: havia a Porto Cup, que passou para a Maia, a Foz também sempre teve torneios e chegou a receber o Rod Laver quando ele passou a profissional e houve sempre uma grande tradição no Norte do país, até com a Taça Davis.”

Mas, e voltando ao início da viagem ao passado, faltava uma prova que fosse da cidade do Porto. Não nos arredores, mas no Porto. Em pleno Porto. E o projeto começou a surgir em meados de 1995, quando a autarquia (então presidida por Fernando Gomes) entra em contacto com a ATP — não a internacional, mas a do Porto.

Em causa estava a construção de um novo clube, no Monte Aventino“Na altura eles fizeram o projeto todo sem nos perguntar nada e quando já estava para ser construído foram perguntar-nos o que é que achávamos daquilo. E a nossa relação começou aí, quando chegam ao pé de nós e nos mostram um complexo que tinha uma série de erros.”

Com um court central fixo e a vontade de organizar um torneio internacional — mas sem ideia da categoria ou qualquer outro detalhe –, a autarquia viu com bons olhos a vontade da equipa da Associação de Ténis do Porto avançar com um projeto. Estavam dados os primeiros passos para aquele que hoje é o Porto Open.

O court central do Monte Aventino tem capacidade para receber 825 pessoas.

Mas a história tem muito que se lhe conte. Muito, mesmo, porque em 18 anos faz-se muita coisa e o Porto não parou. Nem o Porto nem a sua gente. Antes do primeiro torneio, a inauguração, e o evento foi por si só um verdadeiro sucesso. Yannick Noah, Ana Kournikova, Bahrain e Sofia Prazeres foram os convidados “de luxo” para a inauguração do Monte Aventino, que um ano depois, em 1998, recebeu o Toyota Oporto Ladies Open — um torneio feminino de 50.000 dólares.

“Queríamos fazer a diferença e por isso dissemos à Câmara Municipal que íamos fazer um torneio diferente do Estoril Open, que era masculino. E então traçámos um plano para um torneio feminino.” E assim nasceu um torneio que “não foi perfeito mas foi o primeiro passo” de algo grande que estava para nascer: o caso de sucesso que é o Porto Open.

Apesar de ter deixado de ter naming sponsor e de reduzir a metade os prémios monetários, “a edição de 1999 correu muito, muito bem. Teve na final uma jogadora búlgara e outra polaca de que nunca mais ouvimos falar, mas tivemos o court cheio e isso marcou muito bem o torneio.”

Tão bem, que no ano seguinte o evento passou a 75.000 dólares e, em 2001 e 2002, integrou mesmo o calendário do circuito feminino, o WTA Tour. A primeira vencedora? Arantxa Sánchez Vicario, campeã de Roland Garros em três ocasiões e ex-número 1 nacional. Com o tempo chegam também as eleições e o mandato de Rui Rio — que cumpriu o traçado anterior no seu primeiro ano e chegou a entregar o prémio de vencedora a Ángeles Montolio em 2002 — colocou um ponto final no torneio WTA, mas não no Porto Open.

Com a Câmara Municipal falida, a solução passou por regressar à categoria de 25.000 dólares, “que teve o seu papel e viu jogadores portugueses chegarem à final”, mas a organização achou que “tínhamos de fazer outra vez uma coisa diferente” e porque era cada vez mais difícil voltar a organizar um torneio WTA, aproveitou o reaparecimento do ténis masculino para fazer um torneio misto. “E o primeiro ano correu tão bem que o Leonardo Tavares se sagrou campeão de singulares.”

Sendo um verdadeiro “torneio da cidade”, como António Paes de Faria frisa, “temos de ir trabalhando com a cidade e os patrocinadores que existem porque assim é que o torneio vai continuando.” Desta forma, as alterações vão e voltam (entre 2013 e 2015 não foi possível organizar o torneio feminino), mas o Porto Open mantém-se e reinventa-se.

O FUTURO É RISONHO

Reinventa-se de tal forma que a Associação de Ténis do Porto não pretende parar de procurar fazê-lo ainda melhor. O desejo de o fazer regressar ao Monte Aventino existe e “se houver oportunidade de voltar lá, é algo que faz sentido porque são essas as instalações da cidade.” Mas um regresso pontual ao Clube de Ténis do Porto não é descartado, “até porque é benéfico para o torneio, para a cidade e para as pessoas que se alterne de vez em quando.”

Com a autarquia a par do sucesso que é o ténis — dentro da cidade do Porto o desporto com maior número de federados é o ténis –, António Paes de Faria acredita na reabilitação do Monte Aventino e revela ao RAQUETC alguns dos planos para o torneio.

Este ano, a Associação de Ténis do Porto apostou num evento inédito de touch tennis em plena baixa portuense e convidou várias caras conhecidas do ténis português (na imagem, Nuno Borges, Rita Vilaça, Maria João Koehler e Francisco Cabral).

“Este ano tínhamos um plano que era fazer o court central do torneio no meio da cidade. Íamos fazê-lo na Cordoaria, ao pé dos Cléridos, mas este ano é um ano de eleições e acabou por ficar em standy”, começa por revelar. Motivada em continuar a inovar, a AT Porto apostou num evento inédito de touch tennis em plena baixa portuense, que serviu para testar “algumas experiências” e começar a pôr em prática a estratégia de comunicação entretanto delineada. Porque, como lembra e bem, “se conseguirmos que o torneio interaja com a cidade, por um lado temos mais apoio da cidade e ao mesmo tempo chegamos a mais pessoas e assim a mais patrocinadores.”

Também devido às eleições o torneio alterou a sua data tradicional de outubro para julho, mas Paes de Faria não esconde que “setembro é a data ideal, só que este ano vamos ter também o evento das acrobacias de aviões e temos de trabalhar com a cidade e apoiar-nos mutuamente.”

Convencido de que “mais tarde ou mais cedo se vai fazer essa experiência”, o Presidente da Associação de Ténis do Porto conclui a conversa dando conta do formato ideal: “Gostávamos muito de manter a fórmula feminino e masculino, porque é muito apreciada e se o torneio crescer ainda mais será. O ideal neste momento era conseguirmos fazer um Challenger e um torneio feminino maior, um 60.000 ou assim. Isso era perfeito, porque marca a posição do torneio. Mas vamos ver. Estamos convencidos de que conseguindo seguir esses planos chegaremos lá.”

António Paes de Faria (Presidente da Associação de Ténis do Porto) e Rui Moreira (Presidente da Câmara Municipal do Porto) Largo Amor de Perdição durante a o evento de touch tennis.

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