Surpresa, ou talvez não? Roberto Bautista supera Kei Nishikori em Wimbledon

Longe vão os tempos em que os tenistas espanhóis fugiam da relva como o diabo foge da cruz. Veja-se, por exemplo, o casos de Rafael Nadal, duas vezes campeão em Wimbledon, de Feliciano López, que tem na relva a sua superfície preferida e quartofinalista no All England Club em três ocasiões, e de Roberto Bautista Agut, um antigo campeão do torneio de ‘s-Hertogenbosch e que esta sexta-feira garantiu a qualificação para a quarta ronda do mais antigo torneio de ténis do mundo.

Ainda que não fosse o favorito teórico para seguir em frente na jornada de hoje — Kei Nishikori, o seu adversário, é o número 9 mundial e tinha levado a melhor nos quatro duelos realizados entre ambos até à data –, Bautista Agut (19.º) confirmou uma vez mais que é um tenista todo o terreno, gastando quatro partidas para eliminar o japonês, com os parciais de 6-4, 7-6(3), 3-6 e 6-3, naquela que é a sua oitava vitória da carreira frente a tenistas do top 10 — a primeira desde outubro último, quando bateu Djokovic nas meias-finais do Masters de Xangai.

Apesar de ter vencido o terceiro set, o japonês nunca esteve verdadeiramente perto de encetar a reviravolta, mostrando-se muito errático (48 erros não forçados no total) e sem o ténis necessário para contrariar o sempre aguerrido Bautista Agut, que vai entrar na segunda semana de competição apenas com dois sets perdidos.

O espanhol de 29 anos é o segundo jogador qualificado para os oitavos de final da 131.ª edição de Wimbledon (fase onde está pela segunda vez na carreira), depois de Gilles Muller ter derrotado antes o britânico Aljaz Bedene, por 7-6(4), 7-5 e 6-4. Bautista Agut, que tem como melhor resultado em torneios do Grand Slam precisamente a quarta eliminatória (em todos), tem como próximo adversário o croata Marin Cilic, que bateu o norte-americano Steve Johnson, por 6-4, 7-6(3) e 6-4.

Artigo atualizado às 15h22.

João Correia
Licenciado em Sociologia e Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação (ISCTE). Privilegiado por viver numa das melhores eras da história da modalidade.