Gil e Oliveira estão “a pensar mais a sério nesta dupla” e têm a Taça Davis no horizonte

LISBOA – À quarta vez lado a lado, Fred Gil e Gonçalo Oliveira sagraram-se vice-campeões de pares do Lisboa Belém Open, numa final em que estiveram perto de ganhar vantagem e voltaram a dar bons indícios. Satisfeitos com uma dupla que começam “a pensar mais a sério”, os dois portugueses já pensam no futuro e a Taça Davis fá-los esboçar um bom sorriso.

A pensarem na parceria desde que Oliveira fez o convite a Gil desde o Future da Quinta da Marinha, uma das etapas do Cascais NextGen Tour, os dois tenistas lusos ficaram muito satisfeitos com a semana no CIF – Club Internacional de Foot-Ball e só lamentaram a derrota no tiebreak do primeiro set (em que estiveram a vencer por um break e, já no desempate, a liderar por 5-0), que ficou concluído “com uma resposta paralela incrível que ainda não tinha aparecido”, e a fraca reação no segundo.

Não é, por isso, de estranhar que já pensem mais além, e Medellín pode ser o próximo ponto de encontro de Frederico e Gonçalo. “O Gonçalo convidou-me ontem para ir com ele jogar o Challenger”, começou por revelar o tenista sintrense de 32 anos, que tinha planeado “jogar o máximo de Futures em Portugal e jogar o máximo possível de singulares porque continua a ser uma prioridade.”

Mas a ideia deixou Gil com vontade de regressar à localidade colombiana, que conhece bem (tal como as condições), e esse passou a ser um cenário provável, dado que também é lá que Gonçalo Oliveira tem “a certeza de entrar direto no quadro de singulares e até ser cabeça de série.”

Apesar da decisão só estar prevista para segunda-feira, dia até ao qual se podem inscrever no torneio, os dois jogadores começam “a pensar mais a sério nesta dupla” e consideram ter “pernas para andar” ao mesmo tempo que ainda há “muito trabalho a fazer”. Enquanto o calendário for um obstáculo — Oliveira tem melhor ranking e, por isso, mais hipóteses de entrar em torneios Challenger –, pode ser pouco mais difícil vê-los jogar lado a lado, mas a vontade está lá.

E quando a Taça Davis é assunto, o sorriso cresce ainda mais: “quer seja em singulares, quer em pares, voltar à seleção sempre foi um dos meus objetivos e acho que precisamos de um par ainda mais forte para chegarmos ao Grupo Mundial. Mas seja em setembro ou quando for sei que vamos conseguir lá chegar”, conclui Gil antes de Oliveira interromper, bem divertido, para deixar claro que “sem dúvida que estamos muito dispostos [a jogar lado a lado” se a oportunidade surgir.

Seja em setembro, no play-off contra a Alemanha, ou não, a estreia do jovem portuense (que é o único dos dois a ainda não ter defendido as cores de Portugal) na competição deverá ser apenas uma questão de tempo, visto apresentar cada vez melhores resultados.

Gaspar Ribeiro Lança
gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tie-break. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegaram o padel e o squash. E assim cá estamos, no RAQUETC ("raquetecétera"). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, "primeiro estranha-se, depois entranha-se."