Nadal vence batalha galática e marca 50.º encontro com Djokovic

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MADRID – Ainda o relógio não marcava as 16h em Madrid e já os (muitos, muitos) fãs espanhóis se apressavam em direção ao Estádio Manolo Santana. De todos os cantos da Caja Mágica, inclusive do Estádio Arantxa Sanchez — onde Pablo Cuevas estava quase a fazer história –, crianças, adultos e pessoas de idade corriam para garantirem lugar antes de Rafael Nadal voltar a entrar em campo. Mal sabiam aquilo que estavam prestes a testemunhar…

Claro favorito ao encontro frente a David Goffin, tenista que tinha pela frente pela segunda vez, depois de em Monte Carlo ter levado a melhor em dois sets, Rafael Nadal procurava a 13.ª vitória consecutiva (ganhou Barcelona e Monte Carlo) mas sabia que não teria tarefa fácil.

E o primeiro set confirmou isso mesmo: sempre muito, muito equilibrado, o parcial viu o belga, de 26 anos e número 10 do mundo, e o espanhol, já com 30 anos e na 5.ª posição, encantarem todos os presentes com um ténis para lá de extraordinário — galático. Porque havia galáticos nas bancadas (Sergio Ramos e Luka Modric, do Real Madrid, quiseram acompanhar de perto este duelo titânico) e porque Goffin e Nadal se exibiram a um nível galático, que obrigou a uma tremenda resistência de parte a parte e “ganas”, muitas ganas.

Com a Caja Mágica “ao rubro” ponto após ponto, foi só no tiebreak do primeiro set, a que se chegou quando o relógio assinalava exatamente uma hora de jogo, que Rafael Nadal encontrou forma de quebrar a parede chamada Goffin. Com pancadas extraordinárias que arrancaram os espetadores do lugar, o ex-campeão do torneio conseguiu vários mini-breaks e, aos 71 minutos de jogo, venceu finalmente o set.

Muito determinado e cada vez mais sólido, Nadal entrou bem no segundo set. Não quebrou ao primeiro jogo, mas conseguiu meter-se no meio da tranquilidade de Goffin, que eventualmente perdeu o serviço e, depois de 4 break points a 2-1, não conseguiu recuperar a desvantagem. Chegados ao 4-2, no serviço do belga, os dois tenistas protagonizaram aquele que será lembrado como um dos jogos do torneio, do ano e, quem sabe, das carreiras, com pontos extraordinários de parte a parte que esgotaram os adjetivos aos adeptos e, até, aos jornalistas que da bancada de imprensa escreviam a todo o pormenor o que se passara. Espetacular, incrível, inacreditável foram alguns dos adjetivos audíveis no meio de aplausos vindos de todo o estádio.

O que aconteceu depois foi história: Nadal quebrou o serviço de Goffin de forma eufórica, celebrou como só ele celebra e “embalou” para um jogo de serviço que lhe daria a vitória ao cabo de 1h59 de um encontro que, na verdade, pareceu ainda mais prolongado. Foi um verdadeiro espetáculo, ou um “partidazo”, como dizem os espanhóis.

Encontro 50.º com Novak Djokovic acontece já amanhã

A “recompensa” para Rafael Nadal não é coisa pouca: com a vitória, o tenista maiorquino de 30 anos — que entretanto garantiu pontos suficientes para ultrapassar Roger Federer na Corrida a Londres, onde já é o primeiro classificado — marca confronto com Novak Djokovic pela 50.ª vez na carreira.

Isso mesmo, a meia-final deste sábado entre ambos será o 50.º capítulo de uma bonita (e histórica) rivalidade entre dois dos maiores nomes da história da modalidade e do desporto em geral. Se Djokovic vem de 7 vitórias (e 15 sets) consecutivos nos encontros entre ambos, Nadal tem 13 vitórias em terra batida esta época (0 derrotas) e muito melhores resultados do que o sérvio: para além dos títulos em Barcelona e Monte Carlo, disputou as finais do Australian Open (Grand Slam), Acapulco (ATP 500) e Miami (Masters 1000).

São números, claro, e por isso o jogo joga-se apenas dentro de campo. Amanhã, ainda sem hora definida, mas certamente imperdível. Porque o melhor garantirá lugar em mais uma final de um torneio ATP Masters 1000.

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Gaspar Ribeiro Lança

gasparlanca@raquetc.com | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. E mais, sempre mais. Por isso depois chegou o padel, o squash e o ténis de mesa. E assim cá estamos, no RAQUETC (“raquetecétera”). Como escreveu Fernando Pessoa nos anos 20, “primeiro estranha-se, depois entranha-se.”